terça-feira, 22 de outubro de 2019

Fé, para desencargo de consciência


Se a fé é a certeza daquilo que não vemos, a ansiedade se levanta como seu antagonista, tomando o nosso ser de medo e desespero a respeito do que na fé solidifica. A fé é o chamado que me enche de esperança para transformar o mundo em cima do que espero tendo certeza no coração, já a ansiedade surge como o fator que me desestabiliza ante aos desafios da vida; é o medo que se transforma em dúvida e a desesperança que me faz desesperar. Em complemento, a ansiedade altera nosso patamar de importância na vida. A Boa Nova sempre quis conduzir nosso coração para a eternidade, posto que seu antagonista corrompe tal solidez por mesquinharias materiais, simplesmente porque enquanto o Evangelho nos oferece certezas a respeito do Reino de Deus, somos surrupiados por desesperos contínuos de pequenas coisas que mal fazem a diferença

Entretanto, o que esperar de diferente e constante nesse mundo tracejado por instantaneidades? As instantaneidades enraizadas no nosso convívio é o que, a meu ver, mais afeta nossa ansiedade, potencializando este em nós. Nosso querer sempre pautado no agora, ativa a ansiedade porque se não for exatamente agora, eu me desespero. A partir de então, nossa noção cronológica se reduz ao espaço e tempo. Um pouco mais, nosso anseio se torna terreno.

Materialistas que nos tornamos, somos levados a esperanças medíocres, por coisas que em nada corroboram para o aprofundamento psicológico do Reino em nossas consciências. Aqui é que se encontra nossa falta de fé: Não se entregar aos cuidados de Deus por completo pelo medo do que possa acontecer materialmente, é ir contra o ensino de Cristo, apoiado numa míope visão terrena que nos causa crises psicológicas e emocionais. O salto de fé é dado quando revemos nossas considerações pessoais e invertemos nossas importâncias: a pequena semente de mostarda se torna crescente a partir do momento em que buscamos em primeiro lugar as coisas do céu e marginalizamos as deste mundo.

O que Jesus queria dizer em relação a sermos crianças, por exemplo, não recai apenas a interpretação de sermos simples ou nos considerarmos pequenos, mas também atentar ao fato de que uma criança é totalmente dependente de seu pai. E quando ocupados demais para percebermos o melhor desta vida, uma pílula de quietude à Marta é ofertada pelo Filho do Homem: “Marta, Marta, estás preocupada e inquieta por tantas coisas; no entanto, somente uma é necessária”. Isto é, a consideração do próprio Jesus.

Mas a vida é este rolo compressor que nos deixam de mãos atadas, que nos rodeiam de marketing por todos os lados, adequando-nos ao mundo cada vez mais. Marginalizados estão os que rejeitam tal imposição de ansiedade. Selvagens são os que ignoram a necessidade de descabelar-se pelo mundo corporativo. Mas segundo os mandamentos da vida, a natureza selvagem é justamente aquela que aceita os cuidados de Deus descaradamente.

As aves do céu pouco se preocupam em guardar sementes para mais tarde, pois sabem que o Pai irá alimentá-las outrora quando precisarem. E o que dizer do Urubu que se alimenta dos que morrem? Não se angustia, Deus sabendo das necessidades, o socorrerá no momento certo. As ervas, os lírios, as flores… Todas revestidas das mais belas roupagens sem mesmo suplicar por tal coisa. A natureza é para Cristo um exemplo do que deveríamos ser em relação ao socorro de nossas necessidades básicas. 

O desdém aqui não recai no trabalho do dia a dia, mas no anseio do fazer que nunca tem seu fim, estendendo-se ao além. Os verdadeiros selvagens para o Filho do homem são esses que constantemente labutam acreditando assim, ganharem vida em si mesmo; ao contrário dos filhos da luz, cuja resplandecência e obra não passa de mera identidade junto ao EU SOU. O Deus que É, precisa de filhos que se dispõem a ser primeiramente.


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O Mosteiro Literário

Se você chegou até aqui saiba que este espaço é utilizado por e para mim mesmo. Meu único intuito é o de escrever e expressar ideias que não se afastam da minha cabeça até que encontrem alguma vazão. Minha vaidade é modesta demais pra querer algo tão nobre como ganhar notoriedade na vida de alguém. Mas isto não significa que você não possa fazer parte deste repositório e ser um assíduo telespectador dessas tais ideias. Até porquê, vamos combinar, blogs já são um tanto antiquados para os dias atuais e ninguém mais os acompanham; por isso mesmo tranquilizo-me. 

E por quê 'Mosteiro Literário'? O monaquismo cristão ocidental não assumia outro papel a não ser o de afastamento da sociedade, andar às margens dos centros. Os grandes monges repousavam nisso que se tornou um subterfúgio ao contexto mundano. Qual outro propósito daria eu aos meus textos, se não fosse o de reclusão, repositório e solitarismo? Há poucas outras formas de liberdade do que esta de se dizer o que se pensa sem ninguém enchendo seu saco. Ainda mais nos dias de hoje, onde tudo se tornou tão violento, evasivo e alvos de cancelamento. Não abriria mão desta incrível forma de ir e vir, mesmo que soasse esquizofrênico (quer dizer, dialogar consigo mesmo é estranho). 

Sendo assim, sejam bem-vindos.